“Vem cá .
Me abraça .
Me dá um beijo na testa e
diz que nunca vai me deixar .
“Você sofre, se lamenta e depois vai dormir.
“Se acalma pequena, quem foi feito um para o outro o destino dá um jeito de unir.
“E eu sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais.
“Pular no teu ombro. Subir nas tuas costas. Te machucar de algum jeitinho o tempo todo. Fitar teu sorriso, teu cabelo, cada piscadela do teu olho. Te ver sentado no sofá, ver o espaço vazio do lado e mesmo assim preferir o teu colo. Passar a mão por entre os teus fios de cabelo. Preencher o espaço que existe por entre os meus dedos com os teus dedos. Te fazer cócegas. Te fazer rir, sorrir. Suspirar ao ouvir tua voz. Suspirar ao sentir o toque do beijo teu. Fechar os olhos e sorrir ao lembrar de cada uma dessas coisas.
“Então eu fechei os olhos para te trazer pra bem perto de mim. Estava friozinho e dava pra sentir você ali, deitado na minha cama. E você estava lindo, lindo, mas tão lindo que aquela podia ser a última imagem da minha vida.
“Meu quarto. A melhor coisa que havia ali era a cama. Gostava de ficar deitado por horas, mesmo durante o dia, com as cobertas puxadas até o queixo. Era bom ficar ali, nada acontecia por ali, nenhuma pessoa, nada.